A fertilidade da língua portuguesa e dos campos do Mondego (excerto de “Encontros Marcados” de Gonçalo Cadilhe)

O escritor viajante, Gonçalo Cadilhe, explica melhor como sente a língua portuguesa e o rio que corre no fundo da sua rua, o Mondego:
“A ideia de Pessoa, o português como elemento definidor de pátria, que tantas vezes me iria emocionar na vida que eu levaria no futuro – em Goa, em Malaca, no Brasil, em África, até em resquícios de palavras nas Molucas -, tinha uma coluna vertebral: esse rio Mondego desde sempre habitado pela poesia e prosa que fixaram a língua, que a construíram. Era um monumento à ideia de nacionalidade que era não de mármore nem de granito, que não era civil nem religioso, não era gótico nem Estado Novo, não tinha conotações de qualquer tipo. Era um monumento líquido, claro e transparente, intemporal, vivo, cantante. O rio a que os romanos chamavam Munda, “puro”, o rio que corre no fundo da minha rua, oferece a Portugal o centro da língua portuguesa e, ao dividi-la e espalhá-la pelo mundo, define-a como um só território. O todo acontece porque existem as partes.” – Gonçalo Cadilhe, in “Encontros Marcados”, p.145

Luis Leal, colaborador da OLP, celebra o “Dia Mundial da Poesia” com a Biblioteca Pública de Elvas

Luis Leal, colaborador do nosso projeto, celebrou o “Dia Mundial da Poesia” com uma instituição de enorme importância cultural na “rai(y)a”, a Biblioteca Pública de Elvas.

Citando o nosso colaborador, «Ali tenho duas coisas que me fascinam. Um espólio riquíssimo de serviço público e uma sala, como a “Públia Hortência” (à qual dedico este “Despojos de Alexandria”), que me fazem dar razão a Borges: “Siempre imaginé que el Paraíso sería algún tipo de biblioteca.”. »

Fazemos das suas palavras as nossas palavras e partilhamos convosco este recurso publicado pela Biblioteca Pública de Elvas.

“Despojos de Alexandria” – Luis Leal