Revista “Devir” (Editora Licorne)

A Oficina pode, de vez em quando, estar desarrumada, porém nunca perde os cantos à casa. Sabemos muito bem a estante especial onde guardamos os cinco números da “Devir – Revista Ibero-Americana de Cultura”, essa revista de excelência dirigida por Ruy Ventura e Nuno Matos Duarte, publicada pela Editora Licorne.
Enquanto aguardamos pelo sexto número, aproveitamos para reler estas cinco edições que o antecedem.

Desafio de Escrita 77 Palavras da escritora Margarida Fonseca Santos (e do Matteo com o seu belo erro “petaloso”)

Margarida Fonseca Santos

Matteo

No âmbito do curso “Criatividade em Língua Portuguesa” (organizado pelo CPR de Brozas e dinamizado pela Oficina da Língua Portuguesa na localidade “extremeña” de Valencia de Alcántara), respondemos ao desafio de escrita, em 77 palavras, da Margarida Fonseca Santos. Graças ao desafio da escritora e à inspiração de Matteo, o menino que pôs no dicionário de italiano o que a sua professora considerou um “errore bello”, alguns dos participantes deste curso criaram estes belos textos. Eis os belos textos do Rufo, da Ana e da Cristina:

Ele tinha uma flor petalosa nas mãos, mas com apenas um espinho. Ela olhava para onde a terra e o céu oferecem refúgio aos sonhos. Dir-se-ia que esta é uma vulgar história do amor: uma rapariga e um moço estarem a desfolhar os dias do seu tempo.

Soprou o vento com força, a flor voou e no peito dela cravou-se. Ela sangrou.

Na ferida nasceu uma flor com uma só pétala e o caule cheio de espinhos.

“Errore Bello”

Rufino López Retortillo

Era o tempo das rosas
era a história do tempo
era um momento breve
em que os dias contavam as horas
e as horas contavam o tempo

Qualquer coisa bastava dizer
para aquelas rosas sem espinhos
nascerem e aprenderem que
aquelas vidas tão simples
não poderiam nunca viver tranquilas
numa terra sem segundos
numa terra sem refúgio

Aquele não era um momento petaloso
procurado por almas tranquilas
por almas sem pressa
sem pressa para desfolhar o tempo

Ana Isabel Folleco Caballero

Passei horas a fio naquela história. O tempo parecia ter-se detido, os dias eram intermináveis, era como desfolhar uma flor infinitamente petalosa. Enterrei os mais tristes sentimentos no fundo do meu coração, como se de um refúgio secreto se tratasse. Só comigo ficariam e junto a mim levá-los-ia para debaixo da terra.

A dor é como o espinho na rosa, daninho mas interminável, cresce e é igual às belas pétalas, mas o seu papel é outro: “Magoar”. 

Cristina Lourenço

Muito obrigado a todos os participantes e ao CPR de Brozas, por confiar no nosso trabalho de divulgação da língua e cultura em língua portuguesa.